
Como as Conjunções Reforçam a Opinião num Artigo
Alunos do 9º ano analisam como conjunções coordenativas conectam e reforçam argumentos em artigos de opinião reais.
Resumo rápido
| Ano escolar | 9º ano |
|---|---|
| Componente curricular | Língua Portuguesa |
| Duração estimada | 50 minutos |
| Etapas da aula | 5 etapas |
| Código(s) BNCC | EF09LP08 |
Alinhamento Curricular (BNCC)
Unidade temática
Análise linguística/semiótica
Objeto de conhecimento
Uso de conjunções coordenativas na construção da argumentação em textos opinativos
Identificar e avaliar a função das conjunções coordenativas na articulação entre orações e na construção de sentidos em textos argumentativos, especialmente no gênero artigo de opinião.
Competências gerais da BNCC trabalhadas
Feito pela Equipe Escolas Disruptivas.
Conhecimentos prévios necessários
Os alunos já devem conhecer a estrutura básica do gênero artigo de opinião (tese, argumentos, conclusão) e ter noção do que é uma oração coordenada, mesmo sem dominar toda a nomenclatura gramatical das conjunções.
Objetivos de aprendizagem
Reconhecer, em um artigo de opinião real, como conjunções coordenativas (aditivas, adversativas, conclusivas) são usadas para reforçar, contrapor ou concluir argumentos, e aplicar esse recurso na própria escrita.
Identificar conjunções coordenativas em um artigo de opinião e classificar seu tipo
Explicar o efeito de sentido que cada conjunção produz no argumento
Reescrever frases substituindo uma conjunção por outra e observar a mudança de sentido
Materiais necessários

Passo a passo da aula
Introdução: o poder de uma palavrinha pequena
7 minutosEscreva no quadro duas versões da mesma frase de opinião, mudando apenas a conjunção: "O transporte público é caro, mas funciona bem" e "O transporte público é caro, portanto funciona bem" (sem sentido). Pergunte à turma qual das duas faz sentido e por quê. Deixe que percebam que a conjunção muda completamente a lógica do argumento. Explique que hoje a aula vai investigar como pequenas palavras de conexão — as conjunções coordenativas — carregam grande responsabilidade na força de um argumento escrito.
Desenvolvimento 1: caçando conjunções no texto real
12 minutosDistribua o artigo de opinião impresso. Em duplas, os alunos devem circular todas as conjunções coordenativas que encontrarem e, usando o cartaz de referência, classificar cada uma por tipo (aditiva: e, também; adversativa: mas, porém, contudo; conclusiva: portanto, logo; explicativa: pois, porque, pois que). Circule perguntando: "Essa conjunção liga dois argumentos que concordam ou que se opõem?". O objetivo é que percebam que a classificação gramatical tem uma função argumentativa direta, não é só uma categoria decorada.
Desenvolvimento 2: o efeito de cada conjunção no argumento
15 minutosEscolha coletivamente 3-4 trechos do artigo com conjunções destacadas pela turma. Para cada trecho, pergunte: "O que aconteceria com o argumento do autor se essa conjunção fosse trocada por outra do mesmo tipo? E por uma de tipo diferente?". Por exemplo, trocar "mas" por "e" numa frase adversativa quebra a lógica de contraste pretendida pelo autor. Registre no quadro, junto com a turma, como cada troca afeta a força ou a clareza do argumento. Essa é a etapa central da aula: conectar gramática a efeito de sentido argumentativo real.
Desenvolvimento 3: reescrevendo com intenção
11 minutosNa folha de atividades, os alunos recebem 4-5 pares de frases soltas (uma tese e um argumento) sem conexão entre elas e devem escolher a conjunção coordenativa mais adequada para uni-las, justificando por escrito a escolha em uma frase. Por exemplo: "A cidade precisa de mais ciclovias." + "poucas pessoas usam bicicleta hoje." — o aluno deve decidir entre "mas", "porque" ou "portanto" conforme a relação lógica que pretende construir, e explicar sua escolha.
Fechamento: o que aprendemos sobre argumentar
5 minutosPeça que 3-4 alunos compartilhem uma de suas reescritas e a justificativa da conjunção escolhida. Sistematize com a turma que a escolha da conjunção não é aleatória: ela comunica a relação lógica que o autor quer estabelecer entre as ideias, e trocar uma conjunção pode até inverter o sentido pretendido de um argumento.
Diferenciação e inclusão
Para alunos com maior dificuldade em identificar as conjunções no texto corrido, ofereça uma versão do artigo com as conjunções já destacadas em negrito, focando o trabalho apenas na classificação e no efeito de sentido, sem exigir a etapa de localização. Para alunos mais avançados, peça que identifiquem também conjunções subordinativas presentes no texto como desafio extra, discutindo a diferença entre coordenação e subordinação. Para alunos com dificuldade de leitura, leia o artigo em voz alta com a turma antes do trabalho em dupla, garantindo compreensão do conteúdo antes da análise linguística.
Como avaliar
Observe, no Desenvolvimento 1, se as duplas conseguem localizar e classificar corretamente ao menos a maioria das conjunções coordenativas do texto. No Desenvolvimento 2, avalie a qualidade da discussão oral sobre o efeito das trocas de conjunção — essa é a evidência mais direta de compreensão do conceito além da nomenclatura. Recolha a folha de reescrita do Desenvolvimento 3 como registro formal, verificando se a conjunção escolhida é coerente com a relação lógica pretendida entre as frases e se a justificativa escrita demonstra entendimento, não apenas acerto por tentativa.
| Critério | O que observar |
|---|---|
| Identificação de conjunções | O aluno localiza corretamente a maioria das conjunções coordenativas presentes no texto analisado. |
| Classificação por tipo | O aluno classifica corretamente o tipo de cada conjunção identificada (aditiva, adversativa, conclusiva etc.). |
| Compreensão do efeito de sentido | O aluno explica, oralmente ou por escrito, como a troca de uma conjunção altera o sentido do argumento. |
| Aplicação na reescrita | O aluno escolhe uma conjunção coerente com a relação lógica pretendida entre duas frases e justifica essa escolha. |

Atividade de extensão
Peça que os alunos leiam um artigo de opinião de sua escolha em casa (impresso ou online) e tragam para a próxima aula três frases com conjunções coordenativas destacadas, indicando o tipo de cada uma e o efeito argumentativo que produzem no texto escolhido.
Conexões interdisciplinares
Esta aula dialoga diretamente com História e Geografia, disciplinas em que os alunos frequentemente produzem textos argumentativos sobre temas sociais, e a habilidade de conectar ideias com precisão lógica melhora a qualidade desses textos em qualquer área. Também se conecta com Ciências, ao produzir textos que defendem posições sobre temas como sustentabilidade, exigindo o mesmo cuidado argumentativo. Na própria Língua Portuguesa, prepara a turma para a produção de redações dissertativo-argumentativas, gênero central em avaliações como o ENEM, no qual o uso preciso de conectivos é um critério de correção explícito.
Para saber mais
Ensinar conjunções coordenativas apenas como uma lista para memorizar tende a gerar pouca retenção e nenhuma transferência para a escrita real dos alunos. Ao ancorar o ensino da gramática em um texto argumentativo autêntico, como fizemos nesta aula, a turma passa a perceber que a escolha de "mas" em vez de "e" não é uma regra arbitrária, mas uma decisão retórica que afeta diretamente a clareza e a força de um argumento. Essa abordagem — gramática a serviço do sentido, não como fim em si mesma — é especialmente eficaz no 9º ano, quando os alunos já têm repertório de leitura suficiente para perceber nuances de argumentação em textos reais de jornais, blogs e redes sociais que consomem no dia a dia.
Referências: BNCC (Base Nacional Comum Curricular, 2018)
Perguntas frequentes sobre esta aula
Que tipo de artigo de opinião funciona melhor para essa aula?+
Escolha um texto curto (até 300-400 palavras), sobre um tema que interesse a faixa etária (tecnologia, redes sociais, meio ambiente, esportes) e que tenha uma variedade natural de conjunções coordenativas. Evite textos excessivamente formais ou técnicos, que podem dificultar a leitura e desviar o foco da análise linguística.
Preciso ensinar todos os tipos de conjunção coordenativa nesta única aula?+
Não é obrigatório aprofundar em todos os cinco tipos (aditiva, adversativa, alternativa, conclusiva, explicativa) com igual peso. Priorize as que aparecerem naturalmente no texto escolhido, geralmente aditivas, adversativas e conclusivas, que são as mais recorrentes em textos argumentativos reais.
O que fazer se os alunos confundirem conjunção coordenativa com subordinativa durante a caça ao texto?+
Não corrija de forma seca — aproveite o erro como gancho para explicar rapidamente a diferença: conjunções coordenativas ligam orações independentes de igual valor, enquanto subordinativas criam uma relação de dependência. Um exemplo rápido no quadro costuma resolver a confusão sem desviar o foco da aula.
Como avaliar a justificativa escrita se o aluno escolheu uma conjunção diferente da que eu esperava?+
Avalie pela coerência lógica, não pela conjunção "certa". Se o aluno escolheu "portanto" em vez de "mas" mas construiu uma justificativa logicamente consistente com essa escolha, isso demonstra compreensão do mecanismo, mesmo que a leitura do texto original sugerisse outra opção.
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