
Entendendo os Passos que Levaram ao Golpe de 1964
Alunos do 9º ano investigam o contexto político que antecedeu o golpe civil-militar de 1964, analisando os diferentes grupos e interesses envolvidos.
Resumo rápido
| Ano escolar | 9º ano |
|---|---|
| Componente curricular | História |
| Duração estimada | 50 minutos |
| Etapas da aula | 5 etapas |
| Código(s) BNCC | EF09HI19 |
Alinhamento Curricular (BNCC)
Unidade temática
Regimes ditatoriais no continente americano na segunda metade do século XX
Objeto de conhecimento
Golpe civil-militar de 1964 e seus antecedentes políticos
Analisar as características dos regimes ditatoriais implantados na América Latina durante a Guerra Fria, com destaque para o golpe civil-militar de 1964 no Brasil e seus antecedentes políticos e sociais.
Competências gerais da BNCC trabalhadas
Feito pela Equipe Escolas Disruptivas.
Conhecimentos prévios necessários
Os alunos já devem ter estudado o contexto da Guerra Fria e a polarização mundial entre capitalismo e socialismo, geralmente trabalhado em aula anterior, para compreender como esse contexto internacional influenciou a política brasileira do início dos anos 1960.
Objetivos de aprendizagem
Analisar o contexto político brasileiro do início dos anos 1960 — polarização ideológica, reformas de base propostas por João Goulart, e pressões de diferentes grupos sociais e internacionais — que culminou no golpe civil-militar de 1964.
Identificar os principais grupos políticos e sociais envolvidos na crise pré-1964
Compreender o papel das "reformas de base" propostas por João Goulart nesse contexto
Reconhecer o termo "civil-militar" como uma caracterização mais precisa do golpe do que apenas "militar"
Materiais necessários

Passo a passo da aula
Introdução: por que "civil-militar" e não só "militar"?
8 minutosPergunte à turma: "Quando vocês ouvem falar do golpe de 1964, quem vocês imaginam que participou dele?". Provavelmente a resposta será "os militares". Explique que, embora os militares tenham liderado a tomada do poder, o golpe teve apoio de diversos setores civis da sociedade — por isso historiadores hoje preferem o termo "golpe civil-militar". A aula de hoje vai investigar quem eram esses diferentes grupos e por que se posicionaram como se posicionaram.
Desenvolvimento 1: conhecendo as reformas de base
12 minutosApresente brevemente as "reformas de base" propostas pelo presidente João Goulart (reforma agrária, reforma urbana, reforma educacional, entre outras), explicando que essas propostas buscavam reduzir desigualdades sociais no Brasil. Pergunte: "Quem vocês imaginam que apoiaria essas reformas, e quem se sentiria ameaçado por elas?". Conduza a turma a perceber que reformas que redistribuem terra ou recursos tendem a ser apoiadas por movimentos populares e trabalhadores, e vistas com desconfiança por setores que possuem grandes propriedades ou capital.
Desenvolvimento 2: mapeando os grupos em conflito
15 minutosEm duplas, os alunos recebem os cartões com posições de diferentes grupos da época (setores militares preocupados com influência comunista, grandes proprietários rurais contrários à reforma agrária, movimentos sindicais e estudantis a favor das reformas, parte do empresariado urbano, setores da Igreja e da imprensa). Devem organizar esses grupos, na folha de atividades, entre "a favor das reformas de Goulart" e "contra as reformas de Goulart", identificando o interesse específico de cada grupo. Circule perguntando: "Por que vocês acham que esse grupo específico via as reformas como uma ameaça?".
Desenvolvimento 3: o contexto internacional da Guerra Fria
10 minutosConecte a crise interna brasileira ao contexto internacional: explique que, durante a Guerra Fria, os Estados Unidos apoiavam governos e movimentos anticomunistas na América Latina, temendo a expansão de regimes alinhados à União Soviética após a Revolução Cubana de 1959. Pergunte: "Como esse medo internacional de 'comunismo' pode ter influenciado grupos brasileiros contrários às reformas de Goulart?". Essa etapa conecta a crise nacional a uma dinâmica geopolítica mais ampla, evitando uma explicação puramente doméstica do golpe.
Fechamento: uma crise com muitos atores
5 minutosReúna a turma para uma síntese: peça que, coletivamente, listem pelo menos três grupos diferentes (além dos militares) que contribuíram, de alguma forma, para o clima político que resultou no golpe de 1964. Registre no quadro, reforçando que compreender essa multiplicidade de atores é o que justifica o termo "civil-militar" e evita uma narrativa simplificada de que o golpe foi obra exclusiva das Forças Armadas agindo sozinhas.
Diferenciação e inclusão
Para alunos com dificuldade de leitura, leia os cartões de posições dos grupos em voz alta antes do trabalho em dupla. Para alunos mais avançados, peça que pesquisem uma fonte histórica adicional (um discurso da época, uma manchete de jornal de 1964) que ilustre a posição de um dos grupos discutidos, trazendo para enriquecer a discussão em uma aula futura. Para alunos com dificuldade de síntese, ofereça um modelo parcialmente preenchido da tabela de classificação de grupos, reduzindo a quantidade de categorização exigida sem simplificar o conteúdo histórico em si.
Como avaliar
Observe, no Desenvolvimento 1, se os alunos conseguem relacionar as reformas de base a diferentes reações sociais esperadas. No Desenvolvimento 2, avalie se as duplas conseguem classificar corretamente a maioria dos grupos apresentados, com justificativa histórica coerente para cada posição. No Desenvolvimento 3, verifique a compreensão da conexão entre o contexto da Guerra Fria e a crise política brasileira. No fechamento, avalie se a turma consegue articular, coletivamente, a multiplicidade de atores envolvidos no golpe, para além de uma explicação simplificada.
| Critério | O que observar |
|---|---|
| Compreensão das reformas de base | O aluno explica o que eram as reformas de base propostas por João Goulart. |
| Classificação de grupos e interesses | O aluno classifica corretamente diferentes grupos sociais como favoráveis ou contrários às reformas, com justificativa coerente. |
| Conexão com a Guerra Fria | O aluno relaciona o contexto internacional da Guerra Fria à crise política brasileira de 1964. |
| Compreensão da multiplicidade de atores | O aluno reconhece que o golpe envolveu apoio de diversos setores civis, não apenas militares. |

Atividade de extensão
Peça que os alunos pesquisem em casa como o golpe de 1964 é mencionado em fontes diferentes (livro didático, uma reportagem atual, um documentário), trazendo uma observação sobre se essas fontes usam o termo "golpe militar" ou "golpe civil-militar", e o que essa escolha de termo pode significar, para discutir na aula seguinte.
Conexões interdisciplinares
Este tema se conecta com Geografia, no estudo da reforma agrária e da distribuição de terras no Brasil, e com Língua Portuguesa, na análise de discursos e notícias da época como gêneros textuais argumentativos. Também dialoga com Sociologia e formação cidadã, ao discutir como diferentes grupos sociais podem ter interesses conflitantes diante de uma mesma proposta política, uma dinâmica que se repete, de formas variadas, em debates políticos até os dias atuais.
Para saber mais
Ensinar o golpe de 1964 apenas como uma ação das Forças Armadas contra um governo civil simplifica excessivamente um processo histórico complexo, com múltiplos atores civis — empresários, proprietários rurais, setores da imprensa, e até parte da população mobilizada em manifestações — que ativamente apoiaram ou contribuíram para o clima político que tornou o golpe possível. Ao mapear esses diferentes grupos e seus interesses específicos, como fizemos nesta aula, os alunos desenvolvem uma compreensão histórica mais sofisticada, reconhecendo que momentos de ruptura institucional raramente são obra de um único ator isolado, mas resultam de convergências (por vezes temporárias) entre diferentes grupos com motivações distintas — uma lente analítica valiosa para compreender crises políticas em qualquer época, incluindo a atual.
Referências: BNCC (Base Nacional Comum Curricular, 2018)
Perguntas frequentes sobre esta aula
Devo entrar em detalhes sobre a ditadura militar que se seguiu ao golpe nesta mesma aula?+
Não é necessário aprofundar o período ditatorial completo (1964-1985) nesta aula, que foca especificamente no contexto e nos antecedentes do golpe. A ditadura em si, com seus atos institucionais, censura e repressão, é tema riquíssimo para uma ou mais aulas futuras específicas.
Como manter a aula equilibrada e não partidária ao discutir um tema político tão debatido?+
Mantenha o foco na análise de interesses e posições de grupos historicamente documentados, com base em fatos e fontes reconhecidas, evitando emitir julgamentos de valor sobre qual grupo "estava certo". O objetivo é compreensão histórica multicausal, não doutrinação política em qualquer direção.
O que fazer se os alunos já tiverem opiniões políticas fortes e divergentes sobre o tema, formadas fora da escola?+
Acolha as diferentes opiniões com respeito, redirecionando sempre a discussão para a análise de fontes e fatos históricos verificáveis, deixando claro que a aula busca compreensão do processo histórico, não validar ou invalidar posições políticas atuais dos alunos ou de suas famílias.
É apropriado usar o termo "golpe" ou seria mais neutro usar "revolução", como alguns setores da época chamavam?+
O termo "golpe civil-militar" é o mais utilizado pela historiografia acadêmica atual para descrever a ruptura institucional de 1964, por refletir com mais precisão o processo de tomada de poder fora dos mecanismos constitucionais previstos. É válido mencionar que o evento foi chamado de "revolução" por seus apoiadores à época, como parte da própria disputa de narrativas discutida na aula.
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