plano de aula era vargas: alunos do 9º ano classificando fatos históricos em avanços e retrocessos
História9º ano 50 minutos

Os Dois Lados do Governo de Getúlio Vargas

Alunos do 9º ano analisam avanços sociais e retrocessos autoritários do período varguista, discutindo suas contradições históricas.

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Resumo rápido

Ano escolar9º ano
Componente curricularHistória
Duração estimada50 minutos
Etapas da aula5 etapas
Código(s) BNCCEF09HI06

Alinhamento Curricular (BNCC)

Unidade temática

O mundo em conflito: a Era das Catástrofes

Objeto de conhecimento

O período Vargas: populismo, trabalhismo e autoritarismo

EF09HI06

Identificar e relacionar as dinâmicas do capitalismo e suas crises, os grandes conflitos mundiais e os conflitos vividos no Brasil no período varguista, com destaque para as contradições entre avanços trabalhistas e práticas autoritárias.

Competências gerais da BNCC trabalhadas

2 — Pensamento científico, crítico e criativo7 — Argumentação

Feito pela Equipe Escolas Disruptivas.

Conhecimentos prévios necessários

Os alunos devem já ter estudado a Crise de 1929 e seus impactos econômicos no Brasil, contexto geralmente trabalhado em aula anterior sobre a economia cafeeira e a Revolução de 1930.

Objetivos de aprendizagem

Analisar o governo de Getúlio Vargas (1930-1945) identificando tanto os avanços sociais e trabalhistas quanto as práticas autoritárias e de censura, compreendendo essa contradição como característica central do período.

Identificar as principais leis trabalhistas criadas durante o governo Vargas

Reconhecer características autoritárias do Estado Novo (1937-1945), como censura e perseguição política

Argumentar sobre como um mesmo governo pode combinar avanços sociais e retrocessos democráticos

Materiais necessários

Cartões com fatos históricos do período Vargas, alguns representando avanços e outros retrocessosQuadro dividido em duas colunas ("Avanços" e "Retrocessos")Trecho curto de um discurso ou notícia da época (resumido em linguagem acessível)Folha de atividades para registro da análise
cartões históricos sobre leis trabalhistas e censura sendo classificados em atividade

Passo a passo da aula

1

Introdução: um governo pode ser bom e ruim ao mesmo tempo?

7 minutos

Pergunte à turma: "Vocês acham possível um governo criar leis que ajudam os trabalhadores e, ao mesmo tempo, perseguir quem discorda dele?". Ouça hipóteses livres. Explique que a aula de hoje vai investigar justamente esse tipo de contradição no governo de Getúlio Vargas, uma das figuras mais debatidas da história brasileira, evitando classificá-lo de forma simplista como "só bom" ou "só ruim".

2

Desenvolvimento 1: classificando fatos históricos

15 minutos

Distribua os cartões com fatos do período Vargas (ex: criação da CLT, direito a férias remuneradas, salário mínimo, mas também: fechamento do Congresso Nacional em 1937, censura à imprensa, prisão de opositores políticos). Em duplas, os alunos devem classificar cada cartão na coluna correta do quadro ("Avanços" ou "Retrocessos"), justificando brevemente por escrito na folha de atividades. Circule perguntando: "Por que vocês colocaram esse fato nessa coluna? Alguém discordaria dessa classificação?" — abrindo espaço para perceber que algumas classificações podem gerar debate legítimo.

3

Desenvolvimento 2: o trabalhismo como estratégia política

13 minutos

Aprofunde a discussão sobre as leis trabalhistas, explicando que elas não foram apenas um gesto de boa vontade, mas também uma estratégia política de Vargas para conquistar apoio popular, especialmente dos trabalhadores urbanos, ao mesmo tempo em que controlava os sindicatos por meio do Estado. Pergunte: "Uma lei pode ser boa para o trabalhador mesmo que tenha sido criada, em parte, como estratégia política?" — estimulando reflexão sobre motivações políticas versus efeitos sociais concretos de uma mesma política pública.

4

Desenvolvimento 3: o Estado Novo e a censura

10 minutos

Apresente o trecho resumido de um discurso ou notícia da época que ilustre a censura e o controle da informação durante o Estado Novo (1937-1945), quando Vargas fechou o Congresso e governou por decretos. Discuta: "Por que um governo que criava leis populares entre trabalhadores também temia tanto a oposição e a imprensa livre?". Conecte essa discussão à tensão central da aula entre popularidade social e controle autoritário do poder.

5

Fechamento: minha conclusão sobre o período Vargas

5 minutos

Peça que cada aluno escreva, em 2-3 frases, sua própria conclusão sobre o governo Vargas, considerando tanto os avanços quanto os retrocessos discutidos. Reforce que não existe uma única resposta "certa" — o objetivo é que consigam articular uma posição fundamentada nos fatos históricos analisados, e não apenas repetir uma avaliação pronta ouvida em algum lugar.

Diferenciação e inclusão

Para alunos com dificuldade de leitura, leia os cartões de fatos históricos em voz alta antes do trabalho em dupla, garantindo compreensão do conteúdo antes da classificação. Para alunos mais avançados, peça que pesquisem uma fonte histórica adicional (imagem de propaganda do período, por exemplo) e a analisem à luz da discussão sobre estratégia política versus efeito social. Para alunos com dificuldade de argumentação escrita, aceite a conclusão final de forma oral, registrada por você ou por um colega, respeitando o mesmo padrão de exigência de fundamentação histórica.

Como avaliar

Observe, no Desenvolvimento 1, se as duplas conseguem classificar corretamente a maioria dos fatos e justificar suas escolhas com coerência histórica. No Desenvolvimento 2, avalie a qualidade da discussão sobre a dupla motivação (social e política) das leis trabalhistas. No Desenvolvimento 3, verifique se conseguem relacionar o controle da informação a uma estratégia de manutenção do poder. Use a conclusão escrita do fechamento como principal evidência de que o aluno consegue articular uma análise histórica que reconhece contradições, em vez de uma visão simplificada e unilateral do período.

CritérioO que observar
Classificação de fatos históricosO aluno classifica corretamente a maioria dos fatos como avanço ou retrocesso, com justificativa coerente.
Compreensão da dupla motivação do trabalhismoO aluno reconhece que as leis trabalhistas tinham tanto efeito social quanto função de estratégia política.
Compreensão do autoritarismo do Estado NovoO aluno relaciona censura e fechamento do Congresso ao controle do poder por Vargas.
Construção de conclusão fundamentadaO aluno articula uma conclusão própria sobre o período que reconhece avanços e retrocessos, sem simplificação unilateral.
caderno de aluno com conclusão escrita sobre o governo vargas

Atividade de extensão

Peça que os alunos pesquisem em casa como o governo Vargas é retratado hoje em diferentes fontes (livros didáticos, documentários, redes sociais) e tragam um exemplo de visão mais positiva e um exemplo de visão mais crítica sobre o período, para comparar na aula seguinte.

Conexões interdisciplinares

Este tema se conecta diretamente com temas de cidadania e direitos trabalhistas, recorrentes em Geografia e Educação Financeira no currículo do 9º ano, e com Língua Portuguesa, na análise crítica de discursos políticos e propaganda como gêneros textuais. Também dialoga com Sociologia e temas de formação cidadã transversais à BNCC, ao discutir os limites entre popularidade política e práticas autoritárias, uma reflexão relevante para a compreensão de processos políticos até os dias atuais.

Para saber mais

O período Vargas é um exemplo particularmente rico para ensinar pensamento histórico crítico justamente porque resiste a interpretações simplistas. Apresentar apenas os avanços trabalhistas, sem mencionar o autoritarismo do Estado Novo, ou apenas o autoritarismo, sem reconhecer o impacto real das leis trabalhistas na vida de milhões de brasileiros, produz uma compreensão histórica distorcida em qualquer uma das duas direções. Ao pedir que os alunos classifiquem fatos, debatam casos ambíguos e construam sua própria conclusão fundamentada, esta aula desenvolve a habilidade de tolerar e analisar complexidade histórica — uma competência central da disciplina de História, que raramente lida com "heróis" ou "vilões" perfeitos, mas com processos e escolhas políticas cheias de tensões e contradições.

Referências: BNCC (Base Nacional Comum Curricular, 2018)

Perguntas frequentes sobre esta aula

Devo apresentar minha própria opinião sobre Vargas ter sido "bom" ou "ruim" para o Brasil?+

É preferível manter uma postura de mediador, apresentando fatos verificados de ambos os lados e permitindo que os próprios alunos construam suas conclusões fundamentadas, em vez de impor uma avaliação pronta, o que reduziria o valor pedagógico do exercício de pensamento crítico proposto.

Como lidar se os alunos discordarem entre si sobre como classificar um fato específico?+

Aproveite esse desacordo como uma oportunidade pedagógica valiosa — peça que cada lado explique seu raciocínio, mostrando que a interpretação histórica muitas vezes envolve julgamento sobre critérios (o que conta como "avanço"?), não apenas fatos objetivos incontestáveis.

Preciso explicar detalhadamente o suicídio de Vargas em 1954 nesta aula?+

Não é necessário para os objetivos desta aula específica, que foca no período de governo entre 1930 e 1945. O fim trágico de Vargas em 1954, já em seu segundo mandato eleito, pode ser tema de uma aula futura sobre a redemocratização e o populismo no pós-guerra.

Que outras leis trabalhistas além da CLT posso incluir nos cartões de fatos?+

Bons exemplos incluem a criação do salário mínimo (1940), a regulamentação da jornada de trabalho de 8 horas, o direito a férias remuneradas e a criação da Justiça do Trabalho, todos elementos concretos que ajudam a turma a entender a dimensão real dos avanços trabalhistas do período.

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