
Aprendendo a compartilhar brinquedos e espaços
Aula prática para crianças bem pequenas aprenderem a compartilhar brinquedos e espaços através de brincadeiras, gestos e palavras simples.
Resumo rápido
| Ano escolar | Creche |
|---|---|
| Componente curricular | Língua Portuguesa |
| Duração estimada | 35 minutos |
| Etapas da aula | 5 etapas |
| Código(s) BNCC | EI02EO03 · EI02EO04 · EI02EF09 |
Alinhamento Curricular (BNCC)
Unidade temática
O eu o outro e o nós
Objeto de conhecimento
Convivência e respeito às diferenças; compartilhamento de materiais e espaços; desenvolvimento de linguagem social e empatia através de interações lúdicas
Demonstrar atitudes de cuidado e solidariedade na interação com crianças e adultos; Comunicar suas ideias e sentimentos a pessoas e grupos diversos; Oferecer ajuda quando percebe que o outro precisa, apoiando o colega em situações que fogem do seu domínio
Competências gerais da BNCC trabalhadas
Feito pela Equipe Escolas Disruptivas.
Conhecimentos prévios necessários
Crianças bem pequenas já reconhecem objetos e pessoas familiares; possuem interesse por brinquedos e atividades; conseguem seguir orientações simples com apoio; começam a imitar comportamentos e gestos de adultos e colegas.
Objetivos de aprendizagem
Promover o desenvolvimento da linguagem social e da empatia através de experiências lúdicas de compartilhamento de brinquedos e espaços.
Ampliar o vocabulário relacionado a compartilhamento (palavras como 'sua vez', 'meu', 'seu', 'espera')
Reconhecer e nomear emoções envolvidas no compartilhamento (alegria, curiosidade, frustração)
Praticar gestos e expressões que facilitam o compartilhamento com pares
Vivenciar situações lúdicas onde o compartilhamento gera brincadeira conjunta e satisfação
Materiais necessários

Passo a passo da aula
Introdução: Roda de Chegada e Ambientação Afetiva
5 minutosReúna as crianças em círculo no colchonete ou tapete, em um espaço seguro e visual. Comece com uma saudação calorosa: você pode cantar uma música de boas-vindas simples (ex: 'Olá, olá, tudo bem?') ou fazer gestos de aceno. Apresente o tema de forma lúdica: segure um brinquedo e diga em tom amigável: 'Olha só que legal! Temos brinquedos para brincar JUNTOS hoje!'. Explore as expressões faciais — mostre um sorriso grande e diga 'Compartilhar deixa a gente feliz!'. Use o espelho portátil para algumas crianças observarem seus rostos enquanto imitam expressões. Isso ativa a linguagem não-verbal e prepara o clima de brincadeira cooperativa, ancorando as crianças no tema de forma concreta e emocionalmente significativa.
Desenvolvimento 1: Exploração Conjunta de Brinquedos
10 minutosColoque 3 a 4 brinquedos grandes no centro do círculo. Convide as crianças a explorar um brinquedo por vez, em pequenos grupos (de 2 a 3 crianças). Enquanto uma criança explora um objeto, fale em voz clara: 'Agora é a vez de [nome]. Vamos olhar!'. Incentive as outras a observarem e esperarem. Use palavras-chave repetidamente: 'Sua vez agora', 'Espera um pouquinho', 'Que legal, [nome] está brincando'. Quando uma criança tira um brinquedo da outra, não repreenda; em vez disso, ofereça o brinquedo de forma afetuosa à criança que está esperando e diga: 'Agora é sua vez! [Outra criança] quer ver também?'. Modelar o compartilhamento com entusiasmo ('Olha que maneiro brincar junto!') ensina não apenas as palavras, mas também as emoções positivas associadas ao ato de compartilhar, deixando claro que é seguro e prazeroso.
Desenvolvimento 2: Jogos de Troca e Rodízio
12 minutosOrganize um 'jogo de rodízio': coloque as crianças em duplas ou pequenos grupos em volta de cada brinquedo. Use um sinal visual e sonoro simples (palma, batidinhas em um tambor, ou uma nota musical) para indicar quando mudar de brinquedo. A cada sinal, as crianças se movem para o brinquedo seguinte. Enquanto isso, narre o movimento com entusiasmo: 'Vira, vira! Agora é a vez de [nome] brincar com o bloco! Que legal, vocês estão compartilhando!'. Faça isso 3 a 4 vezes para que todas as crianças vivenciem brinquedos diferentes. Entre os rodízios, pergunte: 'Quem quer esse brinquedo?', 'Podem brincar junto?'. Isso cria um padrão de linguagem social (pedir, oferecer, aceitar) de forma estruturada mas lúdica. As crianças aprendem que esperar tem uma recompensa (sua vez vem) e que brincar junto é mais divertido. Monitore as frustrações: se uma criança se angustiar, valide o sentimento ('Você quer brincar sim! Vamos esperar um pouquinho, sua vez vai chegar') e ofereça suporte físico ou um brinquedo alternativo.
Desenvolvimento 3: Brincar Juntos em Espaço Compartilhado
6 minutosConvide todas as crianças a brincarem com TODOS os brinquedos ao mesmo tempo em um espaço delimitado (o colchonete/tapete). Deixe que explorem livremente enquanto você circula, observa e verbifica: 'Vocês estão brincando juntos! Que legal! [Nome] está compartilhando o carinho com [outro nome]!'. Neste momento, nem sempre há disputa — o foco é criar memórias positivas de estar junto sem necessidade de revezamento. Se houver um conflito (duas crianças querem o mesmo brinquedo), intervenha de forma construtiva: ajude-as a brincar lado a lado ('Vocês dois podem brincar com o bloco. Você coloca um, [outro nome] coloca outro!') ou ofereça um brinquedo similar. Às vezes, o melhor aprendizado é a criança vivenciar que brincar lado a lado é tão gostoso quanto brincar sozinho, reforçando a mensagem central de forma experiencial e não apenas verbal.
Fechamento: Reflexão e Reconhecimento
2 minutosReúna as crianças novamente em círculo. Faça uma breve 'celebração': bata palmas e diga 'Vocês brincaram JUNTOS! Que legal!'. Relembre um ou dois momentos da aula: 'Lembra quando [nome] compartilhou o carinho? Que felicidade!', 'Vocês esperaram a vez do colega. Que legal!'. Mostre as imagens de emoções novamente e associe: 'Compartilhar deixa a gente feliz!' (aponte para a face feliz). Se a rotina da turma permitir, cante uma música de despedida simples que reforce o tema. Termine sempre com contato físico afetuoso (abraços, alta-cinco, aperto de mão), reforçando que estão juntos e que foram bem. Este fechamento consolida a aprendizagem emocional e cria segurança para a próxima atividade.
Diferenciação e inclusão
Para crianças com dificuldade de linguagem receptiva, use mais gestos e demonstrações práticas do que palavras — aponte para o brinquedo, para a criança esperando, e mostre emoções faciais. Para crianças muito ativas ou com dificuldade de permanecer em grupo, reduza o tempo em roda e ofereça movimento: elas podem ficar em pé e se mover entre brinquedos em vez de ficar sentadas. Para crianças com deficiência física, coloque os brinquedos ao alcance delas e adapte o revezamento — não é necessário que se desloquem fisicamente, basta tocar e explorar onde estão. Para crianças tímidas ou que se afastam do grupo, comece oferecendo escolha de brinquedo individual e traga gradualmente para atividades duplas antes de inserir no grupo maior. Use pares de crianças com personalidades complementares (uma mais ativa com uma mais tranquila) para modelar colaboração. Para crianças com hipersensibilidade a sons, evite efeitos sonoros muito altos; use palmas suaves ou sinais visuais (levantar a mão) para indicar mudança de atividade.
Como avaliar
A avaliação nesta faixa etária é fundamentalmente observacional e contínua. O professor observa indicadores como: a criança consegue aguardar sua vez com suporte verbal/visual? Ela oferece ou aceita compartilhamento com colegas? Ela verbifica o compartilhamento (mesmo que em palavras simples como 'meu', 'seu', 'vira')? Ela manifesta emoções positivas (sorriso, aproximação) ao brincar lado a lado? O professor usa uma breve anotação descritiva por criança ou pequeno grupo, registrando frases como: '[Nome] esperou 2 rodízios antes de pedir ajuda', '[Nome] ofereceu o carinho espontaneamente para [outra criança]', '[Nome] sorriu ao brincar junto'. Não há 'acerto' ou 'erro' — o foco é capturar o progresso emocional-social e linguístico. O desenvolvimento dessa habilidade é longo e cíclico; espera-se que em aulas sucessivas as crianças reajam com menos frustração e mais iniciativa colaborativa. Portfólio fotográfico de momentos de compartilhamento e breve devolutiva às famílias complementam a avaliação.
| Critério | O que observar |
|---|---|
| Tolerância à espera | A criança aguarda sua vez com suporte (verbal ou presença do adulto) sem explosão emocional ou com explosão breve |
| Linguagem de compartilhamento | A criança verbaliza (mesmo em palavras simples ou gestos) 'sua vez', 'meu', 'seu', ou aponta/oferece brinquedo a colega |
| Emoção positiva na atividade conjunta | A criança sorri, aproxima-se ou repete tentativas de brincar perto de colegas sem hostilidade |
| Resposta a modelagem adulta | A criança imita gestos ou palavras do professor sobre compartilhamento ou aguarda sinal combinado para rodízio |
Atividade de extensão
Na semana seguinte, convide as crianças a trazerem um brinquedo de casa para 'mostrar e compartilhar' com a turma — elas podem apresentar o brinquedo, deixar colegas brincarem e depois levar de volta. Isso reforça que compartilhamento é seguro e reversível. Em paralelo, leia histórias muito simples sobre amizade e compartilhamento (ex: livros de pano ou cartilha infantil) e deixe que manipulem os livros em duplas, praticando 'virar a página juntas'.
Conexões interdisciplinares
Este tema integra-se naturalmente ao campo 'Corpo, Gestos e Movimentos' quando as crianças se deslocam entre brinquedos no rodízio, coordenando movimento e espaço. Conecta-se com 'Traços, Sons, Cores e Formas' quando exploram as propriedades sensoriais dos brinquedos (textura do carinho de pelúcia, som do carrinho, cor dos blocos) — compartilhar inclui nomear essas qualidades ('Olha que macio!', 'Que vermelho bonito!'). Há também estímulo a 'Escuta, Fala, Pensamento e Imaginação' mediante as narrativas do professor ('Você está brincando de quê?') que expandem o repertório verbal. Na perspectiva de Educação Física, o compartilhamento de espaço pratica noção de limite corporal, respeito ao outro e negociação não-verbal. Se houver um planejamento interdisciplinar em nível de escola, essa aula é oportunidade para reforçar rotinas de Educação Socioemocional — a inteligência emocional começa com reconhecer e nomear sentimentos, exatamente o que é feito aqui ao verbalizar emoções ligadas ao compartilhamento.
Para saber mais
Crianças bem pequenas (1 ano e 7 meses a 3 anos e 11 meses) estão em pleno desenvolvimento de autoconhecimento e reconhecimento do outro. Para elas, compartilhamento não é ainda uma 'virtude moral', mas uma experiência sensorial e emocional. Quando um adulto modelo o compartilhamento com entusiasmo e depois a criança vive a emoção positiva resultante (alegria de brincar junto, validação do adulto, segurança de 'sua vez' chegar), o cérebro dela consolida essa experiência como desejável. A repetição estruturada (rodízios, revezamentos previsíveis) oferece segurança e previsibilidade, reduzindo a ansiedade da criança. A linguagem simples e repetida ('sua vez', 'espera', 'compartilhar', nomes dos colegas) permite consolidação neural de palavras e conceitos. Não se espera que aos 3 anos uma criança seja altruísta ou racionalize o compartilhamento; espera-se que ela reconheça o padrão, sinta segurança no revezamento e comece a antecipá-lo ('Minha vez depois?'). Esta aula respeita o desenvolvimento real dessa faixa etária, priorizando vivência concreta, emoção positiva e modelagem adulta em vez de instruções abstratas.
Referências: BNCC (Base Nacional Comum Curricular, 2018)
Perguntas frequentes sobre esta aula
E se uma criança não quiser compartilhar e começar a chorar ou ficar agressiva?+
Isso é absolutamente normal nessa faixa. Não force. Valide o sentimento ('Você quer aquele brinquedo, sim!') e ofereça uma alternativa segura: deixe-a explorar outro brinquedo ou brinque com ela até que fique mais segura. Conforme a aula avança e ela vivencia a previsibilidade (sua vez chega), a resistência costuma diminuir. Se ela continuar muito angustiada, respeite — o aprendizado segue acontecendo via observação.
Quanto tempo devo deixar cada criança com um brinquedo antes de fazer o rodízio?+
Depende da concentração da turma, mas em geral 1,5 a 2 minutos é suficiente para essa faixa. Se notar que estão muito envolvidas, deixe um pouco mais. O sinal (palma, tambor) deve ser consistente para que memorizem a estrutura. Comece com rodízios rápidos e, conforme as crianças compreendem, você pode expandir.
Qual é a melhor forma de lidar com disputa no momento 'brincar juntos'?+
Intervenha rápido: retire gentilmente o brinquedo da situação de briga e segure-o. Valide ambas ('Vocês dois queriam'). Depois ofereça: 'Vocês querem brincar JUNTOS com isso?' Se sim, recoloque. Se não, dê a cada uma um brinquedo similar ou diferente. O objetivo não é quem fica com o objeto, mas mostrar que há solução e que brincar lado a lado é possível.
Posso fazer essa aula com brinquedos quebrados ou danificados?+
Evite. Brinquedos danificados podem ferir e reduzem a confiança das crianças. Use apenas brinquedos seguros, lisos, sem partes soltas. Se não tiver muitos brinquedos, peça emprestado à escola ou use materiais recicláveis seguros (caixas de papelão grandes, tecidos, panelas de plástico).
Como envolver famílias nesse aprendizado fora da escola?+
Envie um bilhete com uma 'dica prática' para casa: 'Esta semana, convide seu filho a brincar lado a lado com você. Deixe ele explorar um brinquedo enquanto você explora outro, depois troquem! Verbalize: sua vez, minha vez'. Pequenos momentos em casa reforçam muito.




