
Caixa de texturas: explorando diferentes materiais
Crianças exploram materiais com diferentes texturas em uma caixa sensorial, desenvolvendo percepção tátil e expressão criativa.
Resumo rápido
| Ano escolar | Creche |
|---|---|
| Componente curricular | Arte |
| Duração estimada | 30 minutos |
| Etapas da aula | 5 etapas |
| Código(s) BNCC | EI02TS02 · EI02TS03 |
Alinhamento Curricular (BNCC)
Unidade temática
Traços, sons, cores e formas
Objeto de conhecimento
Exploração de diferentes materiais e texturas como meio de expressão artística e sensorial
Explorar materiais variados com experiências sensórias (sons, movimentos, aromas, texturas, luz); utilizar-se de gesto e ritmo de forma intencional e diversificada para se expressar por meio de linguagens artísticas.
Competências gerais da BNCC trabalhadas
Feito pela Equipe Escolas Disruptivas.
Conhecimentos prévios necessários
Crianças desta faixa etária já têm curiosidade natural por explorar objetos com as mãos e pela boca; conhecem conceitos básicos como macio, áspero, quente e frio. Experiências anteriores com diferentes materiais (brinquedos de texturas, panos, objetos do dia a dia) facilitam a atividade.
Objetivos de aprendizagem
Proporcionar exploração sensorial de diferentes texturas, estimulando curiosidade, percepção tátil e expressão criativa através de materiais variados.
Explorar diferentes texturas usando o tato, desenvolvendo sensibilidade sensorial e discriminação tátil
Expressar sentimentos e preferências diante de diferentes materiais e texturas
Ampliar vocabulário relacionado a texturas (macio, áspero, liso, rugoso, mole, duro) através da experiência direta
Materiais necessários

Passo a passo da aula
Introdução e apresentação da caixa
5 minutosO professor reúne as crianças em círculo no chão, sentadas confortavelmente, e apresenta a caixa de texturas com entusiasmo e curiosidade. Mostra a caixa de longe para gerar interesse, fazendo perguntas simples como 'O que pode ter dentro?', 'Será que é macio ou áspero?'. Deixa as crianças observarem a caixa externamente, tocarem a lateral dela, e explorar seu exterior. Usa linguagem descritiva: 'Que legal, a caixa tem um lado liso!'. Não revela imediatamente o conteúdo, mantendo o suspense e a curiosidade. Reforça que vão explorar coisas legais com as mãos e que tudo é seguro para tocar.
Exploração livre e dirigida dos materiais
12 minutosO professor convida as crianças a aproximarem-se e, uma a uma ou em pequenos grupos, colocarem a mão dentro da caixa para explorar os materiais. Pode oferecer um material de cada vez ou deixar que explorem livremente, conforme o interesse e ritmo de cada criança. Conforme tocam, o professor narra o que vê e faz perguntas de estímulo: 'Como é esse tecido? Que sensação te dá? É macio ou áspero? Que mais tem aqui?'. Valida as descobertas com afirmações como 'Verdade, é bem rugoso!', 'Que sensação diferente!'. Oferece dois ou três materiais distintos para comparação: 'Sente o algodão, agora sente essa lixa. São diferentes, né?'. Permite que cada criança toque quantas vezes quiser no mesmo material, repetindo a exploração conforme necessário. Algumas crianças preferem observar outros tocarem antes de participar — isso é aceitável. Durante esta etapa, palavras como macio, áspero, liso, mole, duro, rugoso, suave vão sendo repetidas naturalmente.
Exploração com movimento e expressão
8 minutosApós a exploração inicial, o professor convida as crianças a expressarem suas sensações de forma corporal e criativa. Pega um material e pergunta: 'Como você se mexe quando toca nesse algodão tão macio?', depois demonstra um movimento lento e suave. Convida a imitar. Com a lixa ou cortiça, faz um movimento mais rápido e forte, perguntando 'E agora, como é?'. As crianças movem-se conforme o material que estão tocando — dançam, balançam, fazem gestos com as mãos. Pode colocar uma música suave de fundo para acompanhar. Deixa que cada criança explore o movimento que faz sentido para ela. Isso não é sobre acertar, é sobre expressar a sensação tátil através do corpo. Alguns podem querer vocalizações: 'ahhh' para macio, 'pff' para áspero — tudo é validado como forma de expressão.
Roda de conversa e síntese sensorial
3 minutosO professor reúne novamente todas as crianças em círculo e faz uma conversa breve sobre o que descobriram. Sem pressionar respostas, deixa que alguns compartilhem qual foi seu material favorito ou qual sensação mais gostaram. Usa perguntas abertas: 'Qual você mais gostou de tocar?', 'Qual era mais macio?', 'Qual era estranho?'. Reconhece as diferenças: 'Legal, você gostou mais do algodão. Esse aqui gostou mais da espuma'. Retoma brevemente os nomes dos materiais e as palavras de textura (macio, áspero, áspero, liso). Deixa as crianças observarem a caixa ainda aberta, ou fecha-a e convida a tocar por fora novamente. Este momento consolida a experiência e permite que as crianças verbalizem suas percepções e preferências.
Encerramento com relaxamento sensorial
2 minutosPara finalizar de forma tranquila, o professor propõe um momento de relaxamento: oferece o material mais macio (algodão ou tecido macio) para cada criança segurar nas mãos e fecha os olhos, respirando fundo. Fala em tom calmo: 'Sinta como é macio, como é suave. Que gostoso'. Permite que respirem e simplesmente sintam por alguns segundos. Depois, abre os olhos juntos, e encerra a atividade com uma frase de encerramento: 'Obrigado por explorar essas texturas incríveis comigo. Nossas mãos e nossa pele são muito legais para sentir coisas diferentes!'. Convida a lavar as mãos para transição à próxima atividade, fechando a aula de forma natural e acolhedora.
Diferenciação e inclusão
Para crianças com menor interesse inicial, o professor pode iniciar a exploração de forma mais lúdica, envolvendo brinquedos ou personagens que 'falam' sobre as texturas. Para crianças com hipersensibilidade tátil ou defensiva, é importante respeitar o ritmo e nunca forçar o contato; algumas preferem explorar com um objeto intermediário (colher, pincel) antes de usar as mãos diretamente — isso é válido. Para crianças com deficiência visual, a exploração tátil é central e naturalmente mais acessível; usar descritores verbais ricos ajuda. Para crianças com dificuldades motoras finas, ajudá-las a posicionar a mão nos materiais, ou deixá-las explorar com o antebraço ou a palma aberta (sem necessidade de manipulação) garante participação. Crianças não verbais podem se expressar corporalmente e através de sons, ambos igualmente válidos. O professor oferece suporte físico quando necessário, sem infantilizar, e valida todas as formas de exploração e expressão.
Como avaliar
A avaliação ocorre por observação contínua durante a atividade, sem uso de instrumentos formais. O professor observa: se a criança explora ativamente os materiais (toca, sente, repete); se consegue tolerar diferentes texturas com curiosidade, mesmo que haja reações de surpresa; se nomeia ou reconhece texturas quando verbalmente estimulada; se consegue expressar preferências (gosto/não gosto) através de gestos, expressões faciais ou palavras; se participa do movimento/dança expressiva de forma engajada. Não há expectativa de todas as crianças agirem igual — a riqueza está na diversidade de respostas. O professor registra observações breves (ex: 'Manoela tocou algodão várias vezes e sorriu; quando sentiu lixa fez careta e retirou a mão — reação esperada'). Estas observações servem para entender preferências sensoriais e planejamentos futuros, não para 'notas' ou 'certo/errado'. A participação, o engajamento e a exploração curiosa são indicadores de sucesso.
| Critério | O que observar |
|---|---|
| Engajamento na exploração tátil | Criança toca os materiais com curiosidade, pode repetir o gesto em um mesmo material, e demonstra interesse através de expressões faciais ou vocalizações. |
| Tolerância e aceitação de diferentes sensações | Criança experimenta mais de um material, mesmo que reaja com surpresa a alguns; não se recusa completamente a explorar por medo ou aversão. |
| Expressão de preferência ou reação | Criança comunica (através de palavras, gestos, expressões faciais ou sons) se gosta ou não de uma textura, mostrando discriminação sensorial e opinião. |
| Participação em expressão corporal ou movimento | Criança tenta imitar ou criar movimento corporal relacionado à textura que está tocando, mesmo que simples (mexer os dedos, balançar, fazer sons). |
Atividade de extensão
Na semana seguinte, organize uma 'Bolsa de texturas' portátil que as crianças levem para casa com materiais selecionados, para exploração com família. Alterne: dentro de algumas semanas, crie uma caixa com texturas naturais (folhas, galhos, pedras lisas, areia, musgo) para comparar sensações de natureza; depois, uma caixa com texturas quentes e frias (tecido de lã, plástico frio, água morna em recipiente seguro), expandindo a percepção sensorial.
Conexões interdisciplinares
Essa atividade conecta-se naturalmente ao campo de experiência 'O eu, o outro e o nós' quando as crianças compartilham suas preferências e reações, desenvolvendo autoconhecimento e respeito pelas diferenças entre os pares. Relaciona-se ao campo 'Corpo, gestos e movimentos' quando as crianças expressam texturas através de dança e movimento corporal. No campo 'Escuta, fala, pensamento e imaginação', ampliam vocabulário descritivo e narrativo sobre sensações. No 'Espaços, tempos, quantidades, relações e transformações', observam propriedades físicas dos materiais (textura, temperatura, peso, flexibilidade). Em uma abordagem interdisciplinar, isso também toca ciências naturais (propriedades dos materiais), linguagem oral (ampliação de vocabulário e descrição) e educação física (movimento expressivo), tornando a aprendizagem holística e integrada.
Para saber mais
A exploração sensorial é fundamental no desenvolvimento infantil, especialmente entre 1 ano e 7 meses e 3 anos e 11 meses. Nessa faixa, as crianças estão ainda muito ligadas ao aprendizado através dos sentidos, particularmente do tato e da exploração oral (colocar na boca). Ao oferecer materiais variados de forma segura, o professor não apenas estimula discriminação sensorial e percepção tátil, como também contribui para o desenvolvimento cognitivo, emocional e criativo. Atividades como essa permitem que as crianças construam esquemas mentais sobre propriedades físicas do mundo, desenvolvam preferências e aversões com segurança, e encontrem em materiais diferentes formas de expressão quando a fala ainda está em desenvolvimento. A liberdade para explorar sem julgamento fortalece confiança, curiosidade intelectual e criatividade — pilares da aprendizagem significativa na Educação Infantil.
Referências: BNCC (Base Nacional Comum Curricular, 2018)
Perguntas frequentes sobre esta aula
Devo higienizar os materiais antes de usar? Algumas crianças podem levar à boca.+
Sim. Limpe com pano úmido ou álcool 70% antes da atividade, especialmente algodão, esponja e feltro. Sempre supervise e retire imediatamente objetos pequenos perigosos se uma criança tentar levar à boca. Para crianças que ainda exploram com a boca, escolha apenas materiais seguros e não tóxicos.
E se uma criança não quiser tocar em nada e ficar só observando?+
Totalmente normal e válido. Alguns precisam observar antes de participar. Convide gentilmente sem pressionar. Sente perto dela, explore você mesmo e deixe que observe quanto tempo precisar. Geralmente, no dia seguinte ou em outra oportunidade, ela participa. Respeitar o ritmo constrói confiança.
Posso substituir a caixa por um saco ou sacola de tecido?+
Sim! Uma sacola de algodão ou um saco de pano funcionam bem. Alguns professores usam até uma meia grande para exploração tátil. O importante é que seja seguro, que caiba uma mão confortavelmente e que permita boa exploração do toque.
Como faço para registrar essa aula sem ficar tirando fotos enquanto as crianças exploram?+
Filme breves trechos de 15-20 segundos (criança explorando, movimentos expressivos). Depois, escreva notas rápidas sobre reações: nomes das crianças, qual material tocou, expressões. Uma colega pode ajudar com fotografia enquanto você conduz. Fotos de materiais usados também são válidas para portfólio.
Qual a melhor sequência: deixo livre primeiro ou guio material por material?+
Comece com exploração livre ou semiconduzida (professor oferece um de cada vez, deixa explorar quanto tempo quiser). Isso respeita interesses da criança. Se houver caos, estruture mais: 'Agora é a vez do algodão, depois a lixa'. Adapte conforme o grupo.




